A realidade fica estranha se a gente compara o amor nos dias de hoje com
o amor do passado, e olha que não me refiro a um passado tão antigo.
O amor que vejo, um amor artificial com prazo de validade
pré-determinado, é um marketing e não um sentimento sublime de consenso entre
almas. É um acordo de popularidade. Um mero 'eu te amo' não tem valor nenhum
dito aos sussurros no cantinho do ouvido, isso é antiquado. Troca de olhares, demonstrações sutis de
cumplicidade, mãos dadas... pra quê??? A cumplicidade foi substituída pela
popularidade, completamente.
Pra começo de conversa as garotas, todas elas querem príncipes
encantados, mas são muito poucas que mantém a dignidade de princesas. Elas
querem o príncipe de qualquer jeito e não estão dispostas a esperar por essa
coisa de ‘tempo certo’, elas vão competir, investindo tempo e dinheiro em seus
atributos físicos, estão manipulando a aparecia natural não por vaidade, mas
para estar em vantagem nesse mercado cada vez mais competitivo. Estão indo
atrás, partindo em busca de algo que não se encontra. Não se encontra mesmo!
Não existe amor que desperte e se mantenha pela aparência física. Eu não
acredito em amor a primeira vista e não concordo com a pessoa que diz que ‘encontrou’ o amor de sua vida. Isso não
existe. O seu amor não está pronto e guardado esperando ser encontrado, não se
iluda! O amor é um sentimento que nasce a partir de atitudes naturais e de
presença constante, é pra ser conquistado e cultivado, não encontrado. O amor
da sua vida não é um analista financeiro que mora em Belém e que vai ficar
esperando até você encontrá-lo para então largar tudo e ir viver contigo em uma
cabana nos Alpes suíços. O amor da sua vida pode ser conquistado por aquele
amigo de confiança, dos tempos de infância, ou (porque não?) por aquele cara de
óculos engraçado que senta na terceira mesa à esquerda da sua no almoço?
Dos homens, não
tenho muito a reclamar pois eles não sabem do que se trata o amor, não o buscam
com a mesma obstinação das mulheres. Para eles, simplesmente acontece, assim
como deveria ser para todos. Mas há de se destacar que, ao procurar companhia,
eles estão ficando cada vez mais seletivos, querem mulheres de revista, com
músculos rígidos, lábios carnudos, um certo tipo de mulher que nunca tem TPM,
nunca discute a relação. Perfeita para ser exposta aos amigos e a família como
um troféu, mais uma conquista de sucesso. Não a encontrado, partem para a
próxima experiência, sem maiores lamentos. Pelo menos eles
não enganam a si próprios.
A mídia possibilitou que qualquer um escreva e divulgue a sua
própria história. Agora, todos querem ser protagonistas de Best Sellers.
Precisam mostrar ao mundo o quanto são amados, caso contrário, afinal, pra que
serve o amor?
“_Como as
pessoas saberão que sou sensacional se ninguém me ama?”
Daí surge a “missão amor da minha vida”. As pessoas querem
ter alguém não para si, mas para mostrar a sociedade.
Veja nas redes sociais, todo relacionamento (todos os relacionamentos jovens, que fique claro!) tem sempre um espaço para divulgação de fotos do casal, de declarações e
elogios que deveriam na verdade ser um aspecto da intimidade do casal. Me pergunto como
meus avós ficaram juntos até a morte sem nenhuma rede social onde declarar ao
mundo o que sentiam um pelo outro.
Além de querer inventar um amor a qualquer custo, as pessoas (não todos, claro) querem que seja de uma forma que não se encaixa na realidade. Os arroubos de paixão que o cinema difunde são fantasias. Ninguém vai sobrevoar sua casa despejando pétalas de rosas ou enviar flores ao seu trabalho, também acho difícil que nos primeiros encontros alguém te leve para um passeio de balão ou a um jantar com os pais.
Além de querer inventar um amor a qualquer custo, as pessoas (não todos, claro) querem que seja de uma forma que não se encaixa na realidade. Os arroubos de paixão que o cinema difunde são fantasias. Ninguém vai sobrevoar sua casa despejando pétalas de rosas ou enviar flores ao seu trabalho, também acho difícil que nos primeiros encontros alguém te leve para um passeio de balão ou a um jantar com os pais.
Quer amar e ser amado? Cultive um relacionamento, mas é
preciso colocar os pés no chão. Relacionamentos não são formulas de matemática
ou receitas de cozinha. Não é saudável planejá-los, muito menos tentar
controlá-los. Relacionamentos acontecem ao acaso, independente das estratégias
de autoajuda tão divulgadas. Quer ter um relacionamento? Não procure! Mantenha-se
aberto às oportunidades que o acaso pede, olhe para o lados, observe as
pessoas, mas não force situações, isso é chato, as pessoas se cansam! Não se exponha a uma convivência só para
satisfazer o que a sociedade espera de você. Permita se reservar sem se esconder, estar disponível sem se oferecer! Uma hora
acontece e vai ser maravilhoso, muito melhor do que você vem planejando. E quando acontecer, dedique-se porque com o relacionamento vem o amor e, convivência que é por si só, a maior prova de amor, mas do amor real, não do mídia-amor.
L.k
L.k
Estou impressionado com a forma como escreve,
ResponderExcluirvejo amor e não "amor próprio" nas entrelinhas desse texto,
articulando o amor a uma "nova realidade" como ressalta SANTOS: "perversa".
Não sei como, mas espero que de alguma forma meus comentários possam contribuir para com o poeta (pedreiro) que há em ti...