Ela escolhe o homem mais lindo da balada, direciona a ele os mesmos
olhares ensaiados no espelho horas atrás, movimenta o cabelo em ângulos que
definitivamente não são naturais, mas ela acha que é. Imagina que ele a enxerga
com trilha sonora da Tony Braxton e com aroma de flores do campo. Ele puxa
assunto e ela se sente especial, ignorando que ele já puxou assunto com outra
dezena de garotas nessa mesma noite. Passam algumas poucas horas juntos,
regadas a muito álcool. A noite pode terminar em sexo, ou não... Então ele a
leva pra casa, despede-se gentilmente e ela já acha que ele está apaixonado e
que foram feitos um para o outro. Calma menina, homens costumam ser educados
com mulheres sem que para isso estejam apaixonados. Mas ela se nega a enxergar
a realidade e, no dia seguinte inicia a missão “amor da minha vida”. Ela espera
pelo telefonema que pode nunca chegar, mas geralmente o desespero é hediondo e
ela mesma liga. Pressiona daqui, arranja dali. Saem novamente mais algumas
vezes. Eles na verdade não tem nada em comum, mas ela confunde a gentileza dele
com paixão e pronto: nessa cabecinha que se vê vivendo uma comédia romântica,
ele é o amor da sua vida, irão se casar, ter alguns filhos e... Ele é
definitivamente o homem mais lindo da balada. Tem um bom emprego, vai a
manicure uma vez por semana, usa roupas de grife e investe no som do próprio
carro como se a segurança alimentar do país dependesse daquele equipamento. Não
sabe o que é, nem se pergunta o que seja o amor. Pouco se importa com isso na
verdade. Ele só quer se divertir, de repente, se conhecer uma garota legal, não
necessariamente uma ‘mulher fruta’, mas uma companhia agradável, ele estique a
noite um pouco mais. E então, na balada ele a vê cheia de encantos, de curvas
milimetricamente definidas, maquiada como uma estrela de cinema, cabelos bem
tratados, roupa insinuante. Ela faz umas caras sem sentido, joga o cabelos para
o lado com uma frequência tão grande que deve ser um cacoete, mas parece estar
a fim. Ele olha ao redor: já que não encontrou uma companhia agradável, por que
não? Ele a trata com gentileza embora não deixe nenhum indício de que suas
intenções são para alem de uma única noite. Mas ela liga depois e, ele está só
com seus instinto, por que não de novo? Passam-se duas, três semanas, deixa de
ser divertido. Ela demonstra dependência emocional e ele não quer essa
responsabilidade. Pra ele, foi legal, mas já foi o suficiente. Além do mais,
mesmo que quisesse, ele não fica a vontade, sente-se pressionado.
Esse é o modelo padrão dos romances modernos. Agora ela vai entrar em profunda depressão por seu amor não correspondido. Vai cansar os amigos com uma sequencia de lamentos intermináveis e dar a ele os piores adjetivos. No Facebook vai metralhar ofensas e indiretas, letras de musicas que denotem o quanto ela se sente mal amada. Isso vai durar mais tempo do que o próprio relacionamento, até que ela encontre um outro bom partido com quem se envolver.
Olha, tem dias que é um tédio abrir aquele facebook...
Pergunto-lhe:
ResponderExcluir"De quem é a culpa?"
"Podemos chamar isso de romance?"
" Tu és a garota do texto?"
"na balada ele a vê cheia de encantos, de curvas milimetricamente definidas, maquiada como uma estrela de cinema, cabelos bem tratados, roupa insinuante. Ela faz umas caras sem sentido, joga o cabelos para o lado com uma frequência tão grande que deve ser um cacoete"
ResponderExcluirvc me conhece; eu na balada (???) sob estes adjetivos... nunca né
eu li demais os contos do Arnaldo Jabor, o que vc leu aqui é quase plágio.
Não, não te conheço...
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